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Entrevista Paroco PDF Imprimir e-mail
Á quanto tempo está na paroquia do Livramento?
Sou pároco desde 1997, à cerca de 12 anos.

 

Nestes 12 anos como tem sido a evolução da participação activa na vida cristã?
Tenho notado que cada vez mais hoje as pessoas estão a ficar mais conscientes do que é ser cristão. Estamos a passar de uma religião de cristandade para uma religião mais consciente. Actualmente esse cristão não vai atrás dos outros, mas sim vai porque está convencido, e por isso mesmo, ainda existe a tentação muito grande de contar os cristãos pelo número, sendo que o mais importante agora é que seja quem for a pessoa se sinta bem, pois a igreja está aberta a toda a gente.
Acima de tudo nota-se que actualmente os cristãos são pessoas com uma sabedoria diferente ao contrario do que acontecia à anos atrás, muita gente, apesar de não estar convencida, ia porque ficava bem ir à igreja.

Sobre  a vivência cristão julgo existir, a meu ver, três andamentos. O andamento que se vai por que é tradição e por isso existem realidades que se pedem à igreja porque sempre foi feito, e sem grande motivação. Existem aqueles que estão numa fase crise, no sentido em que, o que até agora era começa-se a por em causa. Pretendem perceber os porquês, sendo este o desafio que a própria comunidade tem de fazê-lo. O terceiro grupo  é formado pelos que estão convencidos, avançam com determinação e sabem o que fazem e porque fazem.
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Padre Agostinho Pinto

 

Acha que estas dúvidas e crise surgem da presença de novos ideias e meios como por exemplo a internet e filmes mais recentes?
Sem duvida que um dos motivos da existência desta crise está no faço das pessoas hoje em dia estarem cada vez mais atentas à comunicação social e meios tecnológicos. O facto de estas não estarem preparadas para tanta informação, acaba por ser um receber e encaixar tudo como se fosse uma verdade absoluta e, como bem sabe, actualmente a grande manipuladora de massas é a comunicação social que acaba por criar um novo tipo de escravatura, tornas as pessoas telecomandadas, pessoas que compram isto e aquilo porque foram manipuladas pelos meios de divulgação, nomeadamente pela publicidade. Ou seja chegamos ao ponto de ter pessoas a comprar para usar para depois comprar ainda mais e mais, criando um ciclo preocupante, que inicialmente podia ser evitado se a pessoa tivesse uma outra liberdade.
Este é um problema muito sério, um desafio para nós cristãos, porque temos o dever de alertar e ajudar estas pessoas para que saibam usar estes meios de divulgação. É claro que são também bons meios de partilha de informação, por chegarem a muita gente, mas se foram mal usados podem ser prejudiciais podendo até tornar alguém descaracterizado e deseducado.

 

Na freguesia do Livramento existia, durante muitos anos, vários grupos de jovens. Actualmente existe um grupo e irá surgir um segundo. Como está a ser a prática cristã dos jovens da paróquia? Desapareceu algum espírito que existia?
Bom, como sabe, qualquer grupo de jovens acaba por ter uma duração efémera.
Um bom grupo de jovens normalmente dura 5 anos, tivemos um que foi excepcional, o “Mensageiros da Esperança”, que de facto aguentou 10 anos e é deste grupo que muitas vezes vou buscar os líderes para os novos grupos de jovens.
Actualmente existe novos grupos a surgir da qual tenho muita esperança e que é uma nova geração. Uma geração que tem uma preparação diferente para os desafios actuais e com um modo diferente de ver e enfrentar o que a sociedade lhes vai oferecer. Eles têm a possibilidade de fazer escolhas.
Escolhas estas que têm que ser acertadas e conscientes sem que sejam manipuladas. Acredito, que com esta determinação e ajuda os próprios jovens vão acabar por ajudar a família nas possíveis futuras decisões.
É um grande desafio e os líderes ou animadores dos grupos estão também conscientes deste trabalho, pelo que conheço destes sei que o trabalho irá dar frutos, levando-me a ter muita esperança neles.

 

A Paroquia do Livramento tem muitos movimentos religiosos que contribuem para uma volumosa prática cristã. Como sente esta prática? Encontra entusiasmos e gostos na dinâmica existente?
Evidentemente como pastor, tendo sempre objectivos a cumprir é claro que quero sempre mais, no sentido que estamos numa dinâmica de conversão que ainda não é total.
Aqui no Livramento existe um fenómeno que é o de quem vem de fora morar para aqui, acaba por não se inserir nos movimentos. Infelizmente ainda é um número muito reduzido de novas pessoas que se inserem na prática religiosa. O que mais acontece é as pessoas que para cá vêm morar continuam a fazer a sua prática religiosa na terra de origem.
Actualmente o Livramento passou de uma dimensão territorial para um grande dimensão populacional e por isso é que existe este fenómeno que é próprio dos arredores de cidade.
Mas também existe uma coisa que noto cada vez mais, que é a vinda de novos moradores, pessoas normalmente sem preconceitos e que mais tarde acabam por ser uma mais valia, primeiro porque muitas vezes têm uma visão diferente, outras ideias e segundo porque acabam por ajudar no salto evolutivo que existe.

 

Como vê a freguesia do Livramento?
Nesta freguesia à semelhança da dinâmica e participação, identifico também 3 andamentos diferentes, ou seja, de grosso modo, 3 tipo de pessoas. Uma parte que é constituída por agricultores que têm a sua cultura, o seu modo de ser e de agir e que ainda é um grupo bastante numeroso. Depois existem as pessoas que estão ligadas a diversos ofícios, por exemplo os que se ausentam de manhã para ir trabalhar foram do Livramento e voltam apenas ao final do dia para suas casas, tornando o Livramento no chamado dormitório e finalmente existe um grupo considerável que é constituído pelas pessoas que dão em termos de cultura, preparação e valorização pessoal um contributo mais activo ao dinamismo da freguesia. São pessoas que desenvolvem mais a parte cultural e intelectual e que residem aqui.
Resumindo acaba por ser uma comunidade muito rica pela diversidade, mas claro acaba por criar desafios muito diferentes.

 

Centro Bem-Estar  Social da Paróquia do Livramento

 

À quanto tempo existe o centro?
O centro já existia quando vim para ao Livramento, mas a sua actividade só começou quando eu também iniciei as minhas funções.                          

 

Quais são as valências dos centro?
Tem as ATL’s, a Creche e o Centro de Aconselhamento Parental. Este centro de aconselhamento tem como objectivo apoiar a família no seu global. Começou por ser um centro de apoio às mães adolescentes, mães solteiras mas mais centrado às mães em idade adolescente. Moças que não sabiam qual a responsabilidade que tinham. Actualmente este centro está mais abrangente porque tem uma série de actividades e acções de formação, para apoio a estas famílias, que ajudam estas jovens a serem mães, esposas, a saberem lidar com as responsabilidades domésticas entre outros aspectos.

 

Porque foi criado o Centro Bem Estar?
Acima de tudo para dar resposta às necessidade existentes da nossa terra que são tantas. Ainda existem algumas que estão por colmatar, mas não conseguimos satisfazer todas, como por exemplo os idosos.
Para já damos resposta aos casos mais urgentes e com um apoio que o Governo nos prometeu dar, pretendemos construir a nossa sede que incluirá as diversas valências.

 

Ou seja o vosso grande desejo é a construção da sede de modo a ter condições para incluir uma valência dirigida aos idosos?
Sim também. Para esta e também que os nossos ATL’s estejam em lugar nosso, porque para já estão em espaços cedidos por outras instituições, o que acontece também com a sede do centro, da qual pagamos aluguer numa casa.
Ter uma sede própria é o ideal pois podemos dar condições diferentes às crianças. Não nos podemos esquecer que depois dos 3 anos de idade as crianças não podem frequentar a creche, acabando estas por ficar numa situação muito complicada.

 
EISnt-Engenharia Informática